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Carnaxide, Lisboa

AI-901: validar e avaliar modelos de IA com Microsoft Foundry

João Barros 12 de September de 2026 5 min de leitura

Vou ensinar como validar e avaliar modelos de IA dentro do Microsoft Foundry — uma competência essencial no AI-901 porque garante que o modelo cumpre requisitos de qualidade antes de ser usado em produção. Saber medir desempenho, escolher métricas e criar conjuntos de validação é crítico tanto para o exame como para cenários reais.

O que precisas de saber

Validar e avaliar um modelo significa medir o seu comportamento com dados que não foram usados no treino, identificar falhas e quantificar a sua utilidade para a tarefa. No Foundry, isto envolve: preparar um conjunto de validação, executar inferência controlada e calcular métricas apropriadas (por exemplo, precisão, precision/recall, F1, AUC para classificação; MAE, RMSE para regressão). Também inclui avaliar robustez, enviesamento e desempenho temporal/latência.

Exemplo simples: tens um classificador binário para detetar mensagens de spam. Depois de treinar no Foundry, preparas um conjunto de validação com mensagens rotuladas (spam/não spam) que não estiveram no treino. Executas um job de inferência no Foundry que aplica o modelo ao conjunto de validação e geras métricas como precisão, recall e F1. Se o recall for muito baixo, muitas mensagens de spam escapam — é um sinal para ajustar o threshold, recolher mais exemplos ou rever o pré-processamento.

Como funciona (passo-a-passo)

Segue um fluxo prático e aplicável no Foundry:

  1. Definir objetivos de avaliação:

    Determina o que importa: minimizar falsos positivos, maximizar recall, reduzir latência, ou garantir equidade. Essa decisão orienta as métricas e o desenho dos testes.

  2. Preparar conjuntos de validação e teste:

    Separar dados que não foram usados no treino. Idealmente tens três conjuntos: treino, validação (para afinação) e teste (avaliação final). No Foundry, usa ficheiros em OneLake ou tabelas versionadas.

  3. Executar inferência controlada:

    # Exemplo conceptual de pipeline de inferência
    # 1. Carregar dados de validação
    # 2. Aplicar transformações idênticas às do treino
    # 3. Chamar o modelo para previsões
    # 4. Guardar previsões para análise
    

    No Foundry, isto normalmente é um Job que lê dados, aplica o modelo e grava resultados versionados.

  4. Calcular métricas relevantes:

    Para classificação: matriz de confusão, precisão, recall, F1, AUC. Para regressão: MAE, RMSE, R². Para modelos de linguagem: perplexidade, BLEU (para geração) ou métricas específicas de tarefa. Implementa a lógica de cálculo como parte do pipeline ou usa componentes/visualizações do Foundry.

  5. Testes adicionais:

    • Robustez: testar com ruído/inputs adversariais.
    • Generalização temporal: validar com dados mais recentes para detetar degradação.
    • Equidade e enviesamento: analisar métricas por subgrupos demográficos.
  6. Documentar e versionar resultados:

    Armazenar métricas, conjuntos de dados e o artefacto do modelo (versão) no Foundry para auditoria e regressão de resultados.

Na prática — exemplo rápido

Imagine um pipeline de classificação que já existe no Foundry. Para acrescentar uma etapa de avaliação podes:

  1. Criar um conjunto de dados validation_set em OneLake com N registos rotulados.
  2. Criar um Job de inferência que:
# Pseudocódigo do Job
validation = read_table('oneLake://project/validation_set')
preprocessed = apply_transform(validation)
preds = model.predict(preprocessed)
results = join(validation.labels, preds)
save_table(results, 'oneLake://project/eval_results')
# Calcular métricas (no mesmo Job ou num Job separado)
metrics = compute_metrics(results)
save_table(metrics, 'oneLake://project/eval_metrics')

Depois, cria um dashboard no Foundry que mostra a evolução das métricas por versão do modelo e por data. Isso ajuda a detetar deriva (data drift) ou queda de desempenho rapidamente.

Erros comuns

  • Usar os mesmos dados para treino e validação: leva a métricas excessivamente optimistas. Sempre separar conjuntos ou usar validação cruzada.
  • Escolher métricas sem ligação aos requisitos do negócio: por exemplo, focar em precisão quando o custo dos falsos negativos é alto. Define métricas alinhadas com o impacto real.
  • Ignorar subgrupos e equidade: média global de desempenho pode esconder falhas profundas em grupos específicos.

Como praticar

Para praticar esta competência, usa o Practice Assessment OFICIAL e gratuito da Microsoft e a study guide oficial (também gratuita). Estes recursos ajudam-te a verificar conhecimentos gerais do exame AI-901 e a orientar o estudo prático em tópicos como validação de modelos. Além disso, no Foundry, cria pequenos projectos de fim a fim: treina um modelo simples, versiona-o, constrói um Job de avaliação e regista métricas ao longo do tempo.

Em resumo

  • Validar modelos exige conjuntos separados, métricas apropriadas e testes de robustez para assegurar qualidade antes da produção.
  • No Microsoft Foundry, constrói pipelines de inferência e avaliação que versionam dados, resultados e artefactos para rastreabilidade.
  • Escolhe métricas alinhadas com o risco de negócio e analisa desempenho por subgrupos para detetar enviesamento.
  • Pratica com os recursos oficiais da Microsoft (Practice Assessment e study guide gratuitos) e implementa pipelines simples no Foundry para ganhar experiência prática.