Um relatório de Power BI só funciona bem se as tabelas por trás estiverem bem ligadas. Essas ligações chamam-se relacionamentos, e percebê-las evita a maior fonte de números errados: totais que não batem certo porque o modelo está mal ligado.
O que é um relacionamento
Um relacionamento liga duas tabelas por uma coluna comum — por exemplo, o ID do Cliente que existe na tabela de Clientes e na de Vendas. É essa ligação que permite ver as vendas por cliente, filtrar um gráfico e ver os outros reagirem em conjunto.

Cardinalidade: um-para-muitos é o normal
A cardinalidade descreve quantas linhas de cada lado se relacionam. O caso mais comum e saudável é um-para-muitos: um cliente tem muitas vendas. A tabela de dimensão (Clientes) tem valores únicos; a de factos (Vendas) repete-os. É a base do modelo em estrela.
O perigo do muitos-para-muitos
Quando ambos os lados têm valores repetidos, surge o muitos-para-muitos — muitas vezes sinal de um modelo mal desenhado. Pode inflar totais e dar resultados confusos. Na maioria dos casos, resolve-se introduzindo uma tabela intermédia com valores únicos.
Direção do filtro
- Único (recomendado): o filtro flui da dimensão para os factos — filtras o cliente, vês as suas vendas. Simples e previsível.
- Ambos (bidirecional): o filtro flui nos dois sentidos. Útil em casos específicos, mas pode criar ambiguidade e abrandar o modelo — usa com cuidado.
Porque isto evita erros
A maioria dos "os números estão errados" no Power BI vem de relacionamentos mal montados: cardinalidade errada, direção a mais, ou tabelas que deviam estar ligadas e não estão. Um modelo com relacionamentos limpos é meio caminho para relatórios de confiança.
Na prática
Antes de construir visuais, arruma o modelo: uma tabela por entidade, relações um-para-muitos da dimensão para os factos, direção única por omissão. Investe aqui e os cálculos passam a "simplesmente funcionar". Quando os teus totais não batem certo, já olhaste para os relacionamentos do modelo?