Ter uma prateleira vazia perde vendas; ter uma cheia do que não sai imobiliza dinheiro. Entre estes dois extremos está a gestão de inventário orientada a dados, que usa números em vez de intuição para decidir quanto encomendar e quando. Dois conceitos fazem quase todo o trabalho: ponto de reencomenda e stock de segurança.
O problema de encomendar por instinto
"Encomenda mais quando parecer pouco" é uma receita para rutura ou para excesso. Sem regras claras, cada produto é gerido de forma diferente conforme quem está de serviço, e o resultado são armazéns desequilibrados — falta do que vende, sobra do que não vende.

Ponto de reencomenda: quando encomendar
O ponto de reencomenda é o nível de stock que dispara uma nova encomenda. Calcula-se a partir de duas coisas: quanto vendes por dia e quanto tempo demora o fornecedor a entregar. Se vendes 10 por dia e a entrega demora 5 dias, precisas de reencomendar quando tiveres 50 — senão ficas sem stock antes de a nova chegar.
Stock de segurança: a margem para o imprevisto
A procura varia e os fornecedores atrasam-se. O stock de segurança é a almofada extra que te protege dessas surpresas. Quanto mais imprevisível a procura ou o fornecedor, maior a almofada. É o equilíbrio entre o risco de rutura e o custo de ter stock parado.
A regra 80/20 do inventário
- Poucos produtos geram a maioria das vendas: foca a atenção nesses primeiro.
- Muitos produtos vendem pouco: não vale a pena o mesmo cuidado com todos.
- Classifica por importância e aplica regras mais apertadas onde o impacto é maior.
Os dados que precisas já tens
O histórico de vendas e os prazos de entrega — que qualquer negócio tem — bastam para calcular pontos de reencomenda e stock de segurança sensatos. Não é preciso um sistema caro para começar; é preciso usar os números que já estão à tua frente.
Na prática
Escolhe os teus produtos mais importantes e calcula, para cada um, o ponto de reencomenda e o stock de segurança a partir do histórico. Só isso reduz ruturas e excesso ao mesmo tempo. A tua reposição segue regras baseadas em dados, ou o instinto de quem está a olhar para a prateleira?