Como usar a ação Parse JSON no Power Automate
Muitos fluxos do Power Automate recebem dados em formato JSON: a resposta de uma ação HTTP, o corpo de um webhook ou o resultado de um conector externo. O problema é que esse JSON chega como uma única cadeia de texto e o Power Automate não sabe, à partida, que campos existem lá dentro. A ação Parse JSON resolve exatamente isso — lê o texto, interpreta a sua estrutura e transforma cada campo em conteúdo dinâmico pronto a usar nos passos seguintes, sem escrever código complicado.
Pré-requisitos
- Uma conta com acesso ao Power Automate (incluído na maioria dos planos Microsoft 365).
- Um fluxo onde já recebe dados JSON — por exemplo, de uma ação HTTP ou de um trigger de webhook.
- Um exemplo do JSON que vai receber, para gerar o esquema (schema).
Passo 1: Saber quando usar Parse JSON
Precisa desta ação sempre que um passo anterior devolve texto JSON e quer usar campos específicos desse texto: o nome de um cliente, o total de um pedido ou uma lista de itens. Sem a ação Parse JSON, o fluxo só teria disponível o texto inteiro, sem forma de escolher um campo isolado. Para acompanhar este exemplo, imagine que o seu fluxo recebe o seguinte JSON:
{
"customer": "Ana Silva",
"email": "ana@example.com",
"order": {
"id": 1024,
"total": 89.90,
"items": ["Book", "Pen"]
}
}
Passo 2: Adicionar a ação Parse JSON
No editor do fluxo, clique em Novo passo (ou no sinal + entre dois passos existentes) e escreva Parse JSON na caixa de pesquisa. A ação aparece dentro do conector Data Operation. Selecione-a para a adicionar ao seu fluxo. Repare que ela deve ficar depois do passo que produz o JSON, para poder receber esse valor.
Passo 3: Indicar o conteúdo a interpretar
A ação tem dois campos a preencher. No primeiro, Content, coloque o texto JSON que quer interpretar. Quase sempre vai escolher aqui o conteúdo dinâmico do passo anterior — por exemplo, o Body de uma ação HTTP. Clique dentro do campo e selecione esse valor na lista de conteúdo dinâmico que aparece.
Passo 4: Gerar o esquema a partir de um exemplo
O segundo campo, Schema, descreve a estrutura do JSON. A boa notícia é que não precisa de o escrever à mão. Clique em Generate from sample (gerar a partir de um exemplo), cole um JSON de exemplo como o do Passo 1 e confirme. O Power Automate analisa o exemplo e cria o esquema por si:
{
"type": "object",
"properties": {
"customer": { "type": "string" },
"email": { "type": "string" },
"order": {
"type": "object",
"properties": {
"id": { "type": "integer" },
"total": { "type": "number" },
"items": {
"type": "array",
"items": { "type": "string" }
}
}
}
}
}
Dica: use um exemplo que contenha todos os campos possíveis. Se um campo puder chegar vazio ou como null, ajuste o esquema para o aceitar e evitar erros de validação.
Passo 5: Usar os campos nos passos seguintes
A partir daqui, cada campo do JSON fica disponível como conteúdo dinâmico. Adicione, por exemplo, uma ação para enviar um email e insira os campos customer ou email diretamente no texto da mensagem. Para um campo aninhado, pode escrever uma expressão como esta:
body('Parse_JSON')?['order']?['id']
Para a lista items, que é um array, o Power Automate adiciona automaticamente um Apply to each quando arrastar esse campo para outra ação, percorrendo cada item um a um.
Verificar o resultado
Guarde o fluxo e clique em Testar para o executar com dados reais. Abra o histórico de execuções e clique na ação Parse JSON: na secção OUTPUTS deve ver o objeto já estruturado, com cada campo separado e identificado. Se aparecer o erro ValidationFailed, normalmente significa que o JSON recebido não corresponde ao esquema — reveja o exemplo que usou no Passo 4 e confirme os tipos de cada campo.
Conclusão
Com a ação Parse JSON transformou texto bruto numa estrutura de campos utilizáveis, tornando o resto do fluxo mais simples, legível e fiável. O próximo passo natural é combinar Parse JSON com uma ação HTTP para consumir uma API externa e reagir automaticamente aos seus dados. Qual vai ser a primeira fonte de JSON que vai ligar ao seu fluxo?